segunda-feira, 20 de junho de 2011

O fruto do guaraná



Inventores da cultura do Guaraná, os Sateré-Mawé transformaram a Paullinia Cupana, uma trepadeira silvestre da família das Sapindáceas, em arbusto cultivado, introduzindo seu plantio e beneficiamento. O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, que coincide precisamente com o território tradicional Sateré-Mawé.
O guaraná é o produto por excelência da economia sateré-mawé, sendo, dos seus produtos comerciais, o que obtém maior preço no mercado.
A primeira descrição do guaraná e sua importância para os Sateré-Mawé data de 1669, ano que coincide com o primeiro contato do grupo com os brancos. O padre João Felipe Betendorf descrevia, em 1669, que "tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras".


© Sônia da Silva Lorenz


O comércio do guaraná sempre foi intenso na região de Maués, não só o realizado pelos Sateré-Mawé, mas também pelos civilizados. A procura deste produto deve-se às propriedades de estimulante, regulador intestinal, antiblenorrágico, tônico cardiovascular e afrodisíaco. No entanto, é como estimulante que o guaraná, depois de beneficiado, é mais procurando, pois contém alto teor de cafeína (de 4 a 5%), superior ao chá (2%) e ao café (1%).
Existe uma distinção entre o guaraná de excelente qualidade beneficiado pelos Sateré-Mawé - chamado guaraná das terras, guaraná das terras altas e guaraná do Marau - e o guaraná beneficiado pelos civilizados na região de Maués, chamado guaraná de Luzéia - antigo nome desta cidade -, de qualidade inferior porque produzido sem os conhecimentos e apuro das práticas tradicionais dos índios. O guaraná das terras sempre foi o mais procurado e, no entanto, os Sateré-Mawé vendem, no máximo, duas toneladas do produto por ano, e apenas nos anos de excelente safra. Já o guaraná de Luzéia, muito inferior, é produzido em larga escala; só uma empresa de comercialização do produto em Maués afirma vender 40 toneladas anuais



Preparo e consumo do Guaraná


O çapó, guaraná em bastão ralado na água, é a bebida cotidiana, ritual e religiosa, consumida por adultos e crianças em grandes quantidades. O preparo e consumo do çapó seguem uma série de práticas que somadas resultam em uma sessão ritual. A natureza do ritual de consumo do guaraná é, porém, diversa da de um ritual formal, como são a da Festa da Tocandira ou a da leitura do Porantim. Uma sessão de çapó foi descrita por Anthony Henman: "Essas práticas são essencialmente as mesmas em todas as circunstâncias, tanto se o çapó for preparado para o círculo familiar mais íntimo, ou para um encontro de todos os homens adultos durante uma festa ou reunião política. Cabe à mulher do anfitrião ralar o guaraná, operação feita com uma língua de pirarucu ou uma pedra lisa e quadrada de basalto. Uma cuia aberta da espécie Crescentia cujete é colocada em cima de um suporte chamado patauí e enchida de água até um quarto do seu volume total. A ação de 'ralar' o guaraná molhado não busca a transformação do bastão em pó, como ocorre com o guaraná seco.
Antes, trabalha-se o guaraná para que se forme uma baba, uma viscosidade que adere ao ralo e ao pedaço do bastão em uso, sendo dissolvida n'água mediante a periódica submersão dos dedos da raladora.
Depois de preparado, o çapó é de novo diluído com água guardada ao lado da "dona" do guaraná em uma cabaça da espécie Lagenaria siceraria. A cuia, já a essas alturas cheia até um pouco mais da metade de çapó, e entregue pela mulher ao seu marido, que toma apenas um pequeno gole antes de passá-la aos outros presente, normalmente prestigiando os mais velhos ou alguns visitantes importantes, se os houver. Daí em diante, a cuia passa de mão em mão observando a proximidade física dos participantes, e não um rígido esquema de hierarquia, sendo acompanhado durante as sessões noturnas por um grande cigarro de tabaco enrolado numa casca de árvore. O nome tauarí indica tanto o cigarro feito, como a casca e a própria árvore (Couratari tauary).
Nem sempre a cuia e o tauarí fazem uma volta circular, sendo mais comum que passem em uma linha reta de um participante ao próximo, voltando pela mesma linha até chegar de novo nas mãos do dono. Quando são muitas as pessoas presentes, observa-se a formação de duas ou mais linhas deste tipo, já que uma só cuia raramente é tomada por mais de oito ou dez pessoas. O participante que não tiver muita vontade de tomar guaraná não irá rechaçar a oferta da cuia, mas manterá as formalidades, bebendo um golinho mínimo para não ofender o anfitrião. Outro detalhe importante é que ninguém acaba a bebida que tiver na cuia, e mesmo se receber uma quantidade mínima, cuidará de deixar sempre um resquício para devolver ao dono. Só este é que tem o direito de encerrar formalmente a sessão de çapó; o que ele pode fazer pessoalmente, ou passando o restinho para um membro de sua família, acompanhado pela frase wai'pó ("olha o rabo").
Durante o intervalo em que a cuia circula entre as pessoas presentes, a mulher do anfitrião continuará esfregando o pedaço de guaraná contra o ralo, juntando uma baba que será prontamente dissolvida na água assim que a cuia voltar às suas mãos. Cabe observar que cada sessão da çapó tem várias rodadas da bebida, ou seja, a mulher do dono da casa (ou sua filha, ou sua neta) irá preparar várias cuias de çapó conforme a disposição dos visitantes e familiares para tomar çapó e conversar.
O çapó é a bebida que os Sateré-Mawé utilizam durante seus resguardos. As mulheres durante a menstruação, gravidez, pós-parto e luto e os homens na Festa da Tocandeira, no luto e quando acompanham suas mulheres durante o resguardo do pós-parto.
Pode-se dizer que é durante o fábrico, termo regional também utilizado pelos Sateré-Mawé para indicar as várias etapas do beneficiamento do guaraná, que a vida social se intensifica. A partir do que observamos, o fábrico potencializa ao máximo a maneira de ser desta sociedade, trazendo para a vida social cotidiana toda uma gama de fenômenos que se encontram ocultos ou obscuros em outras épocas do ano. É um período que se renova a cada ano com a chegada da colheita do guaraná, permitindo aos Sateré-Mawé comungarem com sua gênese mítica, revigorando-se etnicamente.



Cristina ralando çapó
© Sônia da Silva Lorenz


O ritual da Tocandira coincide com a época do fábrico e dura aproximadamente 20 dias. Os índios referem-se a este ritual como "meter a mão na luva", também conhecido pelos regionais como "Festa da Tocandira". Trata-se de um rito de passagem - onde os meninos tornam-se homens - de extraordinária importância para os Sateré-Mawé, com cantos de exaltação lírica para o trabalho e o amor, e cantos épicos ligados às guerras. As luvas utilizadas durante este ritual são tecidas em palha pintada com jenipapo, e adornadas com penas de arara e gavião; nelas, o iniciado enfia a mão para ser ferroado por dezenas de formigas tocandiras (Paraponera clavata).

O xibé mata fome

Esta criança Satere Mawe esta matando a sua fome com uma cuia de xibé,é o alimento mais encontrado nas aldeias Sateres.Todos plantam maniva na qual produzem a farinha de mandioca,da qual fazem o xibé.Colocam a farinha na cuia e pôem água e com uma colher fica mexendo a água pra que a farinha molhada em movimento seja engolido em quantidade.Inclusive já matei bem a fome com ela.A caça e a pesca nesta região é muito dificil de se encontrar.

A DANÇA DA TUCANDEIRA


Este rapaz indigena está fazendo um ritual do povo Satere mawe,chamado de dança da tucandeira,Conhecido no meio deles de (Aren’kuen’kuen).Esta festa se realiza uma vez por ano ,sempre nas noites de lua cheia,devido o luar.É marcado o dia e a noite onde vai ser feito a festa,vem indios de varias aldeias para participar deste ritual

doloroso.Nesta luva se coloca formigas tucandeiras de ambos os lados e chega a ter até duzentas, dependendo de quem coloca.Enquanto estão dançando zigizagiando,dois passos para frente e dois para trás em circulo feito elo de braço a braço.Só coloca as mãos quem quer mostrar a sua masculinidade forte,mulher não é permitido colocar as mãos.Mais tem crianças de oito a 10 anos que já participam do ritual, metendo a mão e dançando com a luva e as formigas ferrando o tempo todo.Um dia antes eles pintam as suas mãos com a enzima de uma árvore chamada jenipapo,pra que apareça mais bonito e que outras pessoas saibam que ele tomou decisão de enfia a mão na luva.Tem indio que durante a noite mete a mão pelo menos cinco vezes.Lá pelas madrugadas se ouvi gemidos para varios lugares na mata ou em barracões.Mais tem aqueles que não param de dançar e vão sendo levados pelos outros como que se estivesse desmaiado.Enquanto isso tem os cantores que puxam as canções que contam as  histórias dos seus ancestrais em repetições por longas horas.Se percebe que eles ficam como embriagados com o veneno das formigas gigantes.Ai´vem as cuias de guaraná ralado por uma india e um grande cigarro de tauari que fumega de boca em boca.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

FÉ E OBRA



 RELATORIO DE VISITAS DE 25 DE MAIO A 08 DE JUNHO DE 2011
Comunidades visitadas no decorrer desta viagem missionária em várias localidades do Municipio de Maués-Am.
01- Gastamos 15 horas de barco até Manancial.Dia 24 de maio chegamos no Manancial com o obreiro José Aldo e sua esposa Sandra.Neste dia não fizemos culto por que chegamos as oito horas da noite.Mas, no dia seguinte fizemos um culto com os irmãos que se encontravam naquele lugar.Durante o dia dia 25 fomos visitar os irmãos nas casas nas beiras dos rios do Igarapé –açu.Dia 26 fizemos o segundo culto.
02- dia 27 de maio voltamos à Maués para realizar alguns compromissos em comunicação com meu lider,e reeabastecer de combustivel e o nosso alimento.
03- Dia 28 de maio saímos em direção de Nova Jerusalém agora em uma outra direção completamente o posto dasprimeiras visitas.Aqui nesta comunidade se encontra o obreiro Cledinildo Pereira Coelho.Dei uma palavra seguido de um video sobre perseguição dos cristãos no mundo.Foi uma benção!
04- Dia 29 fomos pela parte da manhã a Monte Salém onde é a base,e é lá que eu tenho casa.Passamos a escola bíblica com os irmãos,pequei algumas coisas que eu estava precisando.
05- Dia 29 as duas horas tarde fomos para o Pantanal,uma congregação nossa dentro de um igarapé,chamado de Albino.Esperamos chegar a noite pra que os irmãos que estão trabalhando na floresta cheguem para exaltarmos po nome do Senhor Jesus.O obreiro deste lugar é o Rogerio e sua esposa Solani.
06- Dia 30 saímos as 10 horas da manhá para a área indigena,comunidade Vale do Quiinha.Ali o obreiro é o José Alves,casado com uma india sateré mawe.Esta comunidade jáme ameaçaram de me mandar embora por que eles dissem que eu não levo nada para eles.Eles querem igrejas que ajudem com gasolina,telhas,roupas,sapatos e outras coisas.E disse pra eles que não tenho bens pra dar pra eles.Mais tenho Jesus.E estou orando pra ver em que vai dar.
07- Dia 31 saímos as 10 horas para a comunidade (Vila Nova II).Ali o obreiro é o Dc.Leonardo e sua esposa Telma de Oliveira(são satere).Fizemos um culto abençoado,deu muita gente no culto a noite.Passamos os videos e demos uma palavra vinda do trono de Deus,e o povo ficou até o final.Parece que ainda queriam mais.
08- Dia 01 de junho fomos pra Vila Milagres cdentro do Marau,área indigena.Nesta comunidade dei posse do Pb.Jorge Cavalcante que vai ficar visitando está comunidade.O meu barco está ruim pra pegar pela manhã.Dá um trabalhão pra pegar,temos que botar um mata-bicho pra ele poder pegar.Mas,depois de muitas tentativa ele pega.E seguimos para outra comunidade.
09- Dia 02 saimos as 11 horas em direção à Monte Horebe,sede do Distrito Indígena.Obreiro deste lugar é o Pb Ezequiel e seu auxiliar Adilon.Pois ele é no mesmo tempo tuchaua da comunidade sateré mawe.O povo quase todos estavam pra  Maués fazendo compras,mas deu pra nós fazermos uma boa reunião com os que estavam ali.Pernoitamos no porto da comunidade no nosso barco hotel.Aleluia!
10- Dia 03 fomos depois das 13 horas ao Lago dos Santos.Ali o obreiro é o Pb.Martisio Filho e esposa.Vieram muitos irmãos para o culto.Nesta comunidade estamos com grandes dificuldades com  a matriarca,ela teve um pequeno problema com uma das suas filhas e expulsou quase todos os moradores da comunidade com suas ações de ignorancias.Depois do culto fomos assistir o filme (A prova de Fogo)
·         Estou com uma grande dificuldade entre os indios Saterés Mawes.Pois sempre estou com eles em visitas,só que eles já me cobraram não só a palavra mais ações da palavra.Até me ameaçaram com a minha expulsão da área,por que eu não levo aquilo que eles estão precisando:Como: Roupas,calçados,alimentos,telhas,poços artesianos,gasolina e igrejas equipadas com pisos etc...
·         Peço oração aos meus amigos,por essa tão grande obra.






segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lugar da Promessa


A CONSTRUÇÕES NO LUGAR DA PROMESSA.Depois que airmã Cacilda doou a Área de terra. Fomos fazer logo a limpeza da área,estavam presentes:Alicio Lobo Michiles,Vicente Lobo Michiles,Martísio Rodrigues Filho e Diácono missionário Edivaldo dos Anjos Farias.Roçamos o lugar onde ia ser construída a minha casa.Fomos tirar madeira na capoeira e só encontramos uma arvore chamada de “canela de velha”por sinal muito boa madeira pra terra,tiramos os esteios e caibros e toda a armação.Armamos e agora precisávamos de palha e não pouca e nessa região não tem palha de babaçu só tem de caranã e tem que ser tecida amarrando os talos numa vara de um certo comprimento.Como eu já tinha vivido por uns tempos nessa região já tinha aprendido.E fomos pro caranazal tirar a cobertura tiramos palhas das oito da manhã até as duas da tarde e fomos colocar num recipiente construído por quem tira a palha chamado (Panaku ou kofu).Levamos e começamos a tecer talo por talo até terminar.Cobrimos a casa que media quatro metros de largura por oito de comprimento,já pronta a coberta tiramos mais palha de inajá pra por nas paredes,e consegui aprontar um elhi das paredes,e nos passamos naquela tarde.Cerquei direitinho do lado que vinha a chuva.Atamos as redes das crianças nos cantos da casa pra melhor segurança.

Chamado missionário

Nessa época e na minha nova morada,vieram morar comigo muitas pessoas:Genésio,dona Cacilda,Alicio,Rosinha,Agenor e esposa,Mara,Hirleia,Jaime,Jonilso,Jackson Raimundo Nonato,Nicanor,e outros que não me lembro no momento,mas foram lindos momentos,que passamos juntos.Praticamente quase todos lá do rio preto,e eles me diziam que quando eu me formasse fosse trabalhar lá com eles .Também tinha a minha família lá no Arari minha terra natal.Eu só dizia que fosse feito a vontade de Deus.E se foram passando os dias,e eu tinha entrado em 89 no seminário,saia todas as seis horas da manhã do bairro da Paz e caminhávamos por dentro do Alvorada e íamos varar na  estrada da Ponta Negra,e fizemos esta rota por quase três anos e nunca ninguém teve pena de nós.E quando a minha filha de nº 4 nasceu nós começamos  a fazer planejamento familiar,e comecei  a orar pedindo de Deus um filho homem pois já tinha quatro lindas meninas.E passou-se os dias me formei em 1992,aos meados de maio.E já vinha sendo cobrado por Deus para escolher o meu campo dado pelo Senhor.Entre Arari e Urupadí,fiquei com Urupadí.Fui com o meu pastor na época era o Edinaldo de Medeiros.O pastor Cláudio Otavio o nosso primeiro Missionário no Estado do Amazonas.

O ENVIADO AO INTERIOR.

Mas,graças a Deus o Pastor Edinaldo entendeu o meu chamado e me enviou.Ficou certo que no mês de setembro viajaria com toda a minha casa,ao interior de Maués uma das muitas cidade do interior do Amazonas.Eu me lembro que não temi nem por um momento de Deixar:A boa escola das minhas filhas,meus amigos,minha família,meu trabalho de pedreiro que por sinal ganhava muito bem,minha casa boa de alvenaria com água,luz e um bonito quintal.Tudo isto deixei agora por uma causa divina.Antes eu fazia isto por ansiedade de minha alma,nunca amei as coisas deste mundo,hoje muito mais,eu só cuido delas para Deus,pois sou o seu mordomo.

O MOMENTO DE DEIXAR TUDO.

Alugaram um caminhão e que foi cheio das minhas coisas.Coloquei as minhas filhas dentro e descemos para um lugar que nós não tínhamos nada.Tudo o que nós tínhamos estava ficando.A,a minha filha mais velha não pude ir por causa de seus estudos.Estava ficando um pedaço de mim pra trás,mas,eu não desisti,fiz da minha face,face de seixo,pra não chorar.Saímos era dia 09 de setembro de 1992.

A CAMINHO DA ESPERANÇA.

Chegando em Maués dia 10 de setembro de 92,com todo aquela mudança sem ter onde colocar.Fui em busca de um barco que coubesse tudo aquilo,encontrei um barco chamado de Comandante Leal,dormimos ali naquela noite e saímos a tarde do outro dia.As minhas três filhas alegres.

O MOMENTO DA CHEGADA AO ALÉM.

Fomos na direção da casa de um irmão Sateré e sua mãe Cacilda Michiles.Chegamos naquele porto era de tarde,coloquei toda a minha mudança na praia e o irmão Alicio já estava ali,e disse a ele que eu ia morar em sua casa,e ele ficou muito alegre.Mas,a casa de era muito pequena pois não tinha onde colocar as minhas coisas,foi preciso nós fazermos um jirau de paus suspenso e ai deu.Onde nós dormíamos não tinha paredes,quando chovia tínhamos que tirar as nossas redes.pra não molhar.

O LUGAR DA PROMESSA.

Fincamos nossa bandeira naquele lugar,ali seria o nosso quartel de linha de frente,e como foi!Meu objetivo era trabalhar já em uma comunidade já formada, não ter que forma novas comunidades.Aqui nas áreas ribeirinhas temos muitas comunidade com dez famílias,quinze famílias então é mais fácil para o governo Federal,Estadual e Municipal ajudar desta
forma o caboclo.E me dirige a uma Co
munidade chamada Aparecida do Pedreiro;falei diretamente com o presidente(o maioral)Que o meu objetivo era trabalhar na pregação do Evangelho,sendo que o evangelho ia atrair muitos outros benefícios para a comunidade.E ele me falará que  ia me dá em outra hora a resposta, depois de reunir todos os comunitário.E assim como acertamos,em dias depois ele me trouxe a resposta,que não podiam me aceitar na comunidade  deles porque eu não era da mesma religião deles,e eu não pode fazer nada;mas,também não bati o pó da minha sandália.Voltei ao quartel,e no dia seguinte fui a outra comunidade,mais próxima do nosso quartel,chamada:São José do Pedreiro.Conversei com o Presidente expliquei os meus objetivos trabalhando com eles,e ele me respondeu a mesma coisa que:Que ele ia reunir os Comunitários e que depois ele me daria a resposta.Com uns dias depois ele me deu a resposta.Que não dava porque eu era crente e eles são Católicos.E eu voltei pro meu quartel,em conversa com o irmão Alicio e a irmã Cacilda sobre o assunto das duas comunidades que fecharam as suas portas para mim.Ela me disse que me daria uma área de terra  de uma hectaria para fazer a igreja.Pois a irmã Cacilda já era uma Sateré batizada na igreja batista ela com a sua nora Laurieta,o irmão Alicio eram também batizado na Metodista Wesleyana lá em Manaus,na época que eu estava fazendo o Seminário.E quando a irmã Cacilda falou aquilo, fiquei muito feliz,pois sabia que Deus queria começar naquele lugar da estaca zero.Como eu fazia culto lá no quartel,já tinha se achegado uma família de Saterés,e já somávamos oito pessoas.

Conversão ou milagre

A PALAVRA DE DEUS NÃO VOLTA VAZIA.

Os irmãos da Assembléia de Deus faziam culto justamente enfrente da minha casa.Na época eu já estava bem melhor financeira tinha comprado uma tv colorida de 20’’e nas horas dos cultos deles eu aumentava o volume da minha televisão bem alto,mas,mesmo assim passava a palavra.A minha filha Djeirla colocava as mãos no ouvido e dizia:Vai espocar o meu ouvrido!Mas,mesmo assim eu ainda estava apegado ao Catolicismo Romano,passei a ser catequista de um Centro Social do Alvorada I,ali eu fazia as minhas rezas e depois me arrumaram uma vaga pra mim lecionar para adultos,me ajudavam com ranchos bem gordos todos os meses.Foi o tempo eu me convidaram pra participar de um grupo fechado da Igreja Católica chamado de “Catecumenato”e,passamos uns dois dias fazendo palestras,e finalmente agora um catecúmeno.Foi lá que conheci o Edinaldo e sua esposa Nicolassa e outras pessoas.Eu já tinha conseguido uma bíblia Ave Maria e lia muito aquela bíblia,mas,agora era diferente fazíamos estudos em grupos familiares e na igreja,agente tomava a Ceia do Senhor com o Pão e o Vinho junto,coisas que os padres não fazem  na igreja aberta.E muitas coisas me abriu os olhos.Ganhei uma bíblia Jerusalém,muito boa ,ai que eu lia mais a bíblia e fui me revoltando com as mentiras que tem dentro da Igreja Católicas,eu e o Edinaldo na época contendia com os padres,com perguntas que as vezes eles não sabiam responder.Já conhecendo a verdade queria que a Igreja Católica mudasse o seu rumo pra dentro da Bíblia,mas,tudo eram vão.Enquanto a minha história avançava,o meu lar era um lar de Abraão,muitas pessoas do interior que nunca tinham oportunidades de vir a cidade grande, estavam tendo a sua.Passaram pra morar conosco:Alaci e sua família,Geraldo Menezes,Sara Menezes,Gracieme Menezes,Paulo Menezes,Heraldo Menezes e outros que não me lembro mais.Hoje essas pessoas tal vez nem lembram mais de mim e nem sabem o valor que eu tive naqueles dias para eles,hoje estão todos bens,graças a Deus.Eu me lembro que numa noite num culto o irmão Edinaldo se levantou e disse que tinha um amigo que ia fazer um estudo Bíblico na casa dele e convidou todos os irmãos Católicos que quisesse ir,naquele dia eu não fui,mas,no próximo eu fui.Chegando lá meio cismado com uma camisa que tinha no peito os seguintes dizeres:”Não insista já sou Evangelista”.E chegou um senhor e uma senhora tudo bem arrumada,começou o estudo e foi dentro das minhas necessidades e minhas exigências e gostei e continuei,depois soube que ele era um pastor,mas eu só queria aquele estudo e nada mais,e fui,e passou-se e eu gostando.Ai que eu fiquei mais exigente na igreja em minhas pregações.Me chamavam de crente,de pastor.Aí nasceu  a minha 4ª filha pus o nome dela de Djeirliane,e essa foi batizada dentro de um camburão de madrugada pelo padre o Edinaldo e a Nicolassa serviram de padrinhos.E eu orava assim nas ruas:O Senhor me mostra um lugar onde as pessoas te busquem de verdade em Espírito.Porque lá onde eu estava,agente terminava de reza,tomar a Ceia do Senhor e saindo ia se prostituir,fumando,
Bebendo,e outros pecados.Uma noite de estudo,perguntei daquele pregador onde era a Igreja dele?E prontamente ele me informou e disse que eu era muito bem recebido se eu fosse lá


A MINHA CONVERSÃO.

 E pois não é que eu fui lá na igreja dele no dia 6 de dezembro de 1987.Foram comigo as minhas filhas:Djeime e Djeirla, lá na rua Itacoatiara numa garagem da casa da irmã Maria das Virgens.Fiquei enfrente a casa,ou a igreja parado com as pernas tremendo, e Djeirla  disse vamos entrar papai.A,vamos,entrei,e parecia que todo mundo estava olhando pra mim,o pastor ainda veio e disse: O seu Edivaldo sente-se aqui na frente,e o senhor vai tocar pra nós nessa noite,e já me deram o violão.E me lembro que o primeiro hino que toquei numa igreja Evangélica foi este:O que saudosa lembrança tenho de ti o Sião terra que eu tanto amo...E naquela noite aceitei Jesus como o meu Salvador.Naquela noite sentiam falta de mim na minha Igreja Católica,e contei pra algumas pessoas que eu ia sair da igreja,e marcamos a data da nossa saída.Nossa. porque o Edinaldo e a sua esposa estavam também saindo.Quando eu me converti eles já tinha se convertido antes de mim.Quando anunciamos a nossa saída o mundo veio contra nós,com choro,cotoveladas,olhares de desprezo e tudo mais,mas,eu firmei com o meu pacto com Deus,nada mudaria a minha vontade. Nem ranchos que eu ganhava, nem mesas fartas que nos davam e nem os amigos,pois eu tinha encontrado algo que a muito tempo procurava em oração.Agora como crente,a minha esposa meio sem saber o que tinha acontecido em minha vida,eu ia com as minhas filhas pra igreja sempre,sempre.Os meus visinhos se escondiam de mim,ficaram aborrecidos comigo.Fizeram uma festa próximo de minha casa e acharam uma foto minha numa bíblia Católica que tinha dado para uma pessoa,e aquela foto botaram chifres e diziam que eu era o falso profeta.Tinha amigos do cigarro,do vinho do violão,todos se afastaram de mim.Mas,agora comecei a evangelizar os que estavam ao meu lado.Ganhei minha esposa,meu irmão, minha mãe,meu pai e assim foi se cumprindo a promessa de Deus em minha família.(crer no Senhor Jesus e á salvo tu e a tua casa.At.16:31).